O cabelo cai mais no outono?
20/04/2010 - Mito ou verdade? Seu cabelo cai mais no outono? Quais cuidados devemos ter no outono?

O cabelo cai mais no outono?

- MITO OU VERDADE? SEU CABELO CAI MAIS NO OUTONO?

- POR QUE O CABELO CAI MAIS NO OUTONO?

- CUIDADOS COM O ROSTO, CORPO E CABELO APÓS O VERÃO E INÍCIO DO OUTONO.

- QUAIS OS CUIDADOS QUE DEVEMOS TER NO OUTONO?

- O QUE PODEMOS FAZER PARA EVITAR TANTOS DANOS NA PELE, NOS CABELOS E NO CORPO APÓS O VERÃO?

Existe sim diferença de textura e de queda no cabelo no verão e no outono. Há causas comportamentais e fisiológicas para esse evento.

Uma das principais causas, que além de ser a mais importante, ainda por cima pode ser melhor prevenida, é a falta de cuidados que a maioria da pessoas deixam de ter durante o verão. Época que está mais relacionada a férias, praia, piscina, dieta inadequada, poucas horas de sono, deixar de cuidar dos cuidados com o corpo... e depois que acaba o verão, vemos o resultado desse descaso: pele manchada, muito ressecada ou extremamente oleosa e cabelos que estão um “caos”.

Ficamos o verão todo agredindo o cabelo com o sal da água do mar, o cloro da piscina e os raios ultravioletas do sol (que danificam e ressecam o fio, podendo até alterar a cor do cabelo, deixando-os mais avermelhados ou mais esverdeados dependendo da cor prévia do fio).

O ideal seria fazer uso de produtos com filtro solar específicos para cabelo, que aderem ao fio e não saem na água (nas embalagens está escrito “produto queratinizado”) ou mesmo os produtos que contêm silicone (como o dimeticone) auxiliam evitando dano aos cabelos.

Mesmo no nosso período de férias, nunca devemos nos esquecer de usar protetor solar de qualidade, principalmente para a face e o colo, creme com filtro solar para o cabelo, óculos de sol para proteção da retina dos olhos e uso de chapéu/boné para evitar excesso de exposição solar. Como tudo em medicina, prevenir ainda é a primeira opção... a mais eficaz e a mais barata.

Outra causa, que aí não temos controle, é que durante o verão, a luz solar estimula maior produção de melatonina (um hormônio relacionado ao ciclo vigília-sono, sistema reprodutor e até ao crescimento do cabelo). Assim, o cabelo cresce mais no verão, e no fim desta estação e no início da próxima, haverá menos estímulo da luz solar e portanto, aqueles fios que cresceram mais rápido, irão cair após alguns meses (é o que chamamos em medicina de eflúvio telógeno). Esse é um evento esperado, e os fios que caíram serão substituídos em breve por novos fios.

No entanto, vale lembrar que existem muitas causas para queda excessiva de cabelo (tecnicamente definida por mais de 100 fios por dia), independente da estação do ano, como herança genética, pós-parto, fatores hormonais, distúrbios de tireóide, carência de nutrientes específicos como o ferro (sempre medir ferritina no exame de sangue), grande estresse (físico ou psicológico), etc.

Existe, sim, tratamento para o “fortalecimento” dos cabelos, seja com xampus prescritos para manipulação, seja com medicação mas com medicação baseada em aminoácidos, sais minerais, vitaminas e oligoelementos em geral (como silício, selênio, ferro quelado, zinco, etc), ou seja, elementos que compõe a matéria prima para formação do cabelo. São os chamados nutricêuticos ou nutracêuticos, conhecidos na mídia como as “pílulas da beleza” ou as “cápsulas da juventude”.

No Brasil, embora não tenhamos estações tão bem definidas como em países europeus, percebemos essas mudanças na nossa pele e no nosso cabelo. Com o esfriar da estação, toma-se banho mais quente e/ou fica mais tempo no chuveiro, assim a água quente, o uso de buchas, uso de sabonetes irritantes, retiram a nossa barreira de proteção da nossa pele. Isso é muito bem exemplificado, quando você sente seu corpo coçando quando sai do banho. Não há lesão nenhuma lá (como bolinhas vermelhas) para coçar tanto, mas você sente que coça muito, pois a pele seca, por si só, dá coceira como sintoma. Pessoas com pele muito secas, mulheres após a menopausa e pessoas idosas são bem mais suscetíveis.

Cuidados com o nosso cabelo

Não podemos nos esquecer do efeito dessa água quente no nosso couro cabeludo. Ele não agüenta muito tempo debaixo do chuveiro com essa água tão quente. Ocorre estimulação das glândulas produtoras de sebo e piora a oleosidade e a dermatite seborreica, aumentando a descamação do couro cabeludo e aparecendo a indesejável caspa. Então, se os cabelos tenderão a ficar mais oleosos, e evite cremes condicionadores tão pesados.

E atenção, xampus vendidos livremente no comércio, não são tão eficazes para dermatite seborréica, oleosidade do couro cabeludo ou caspa, como os prescritos e manipulados pelos dermatologistas. Essa pode ser a razão de, literalmente, não ter conseguido se livrar desse problema.

Dica prática: se o banheiro ficou com o espelho todo embaçado, você demorou demais no banho e/ou a água estava muito quente. Não fique portanto com a cabeça debaixo do chuveiro o tempo todo, apenas para enxaguar o cabelo, assim você tenta evitar o contato exagerado do couro cabeludo com essa água quente.

Outra coisa muito importante, é que se o banheiro está todo embaçado devido a umidade e ao vapor, você poderá também estar “destruindo” os princípios ativos dos cremes e protetores solares que estão dentro do armário desse banheiro....

Prefira sempre lavar o cabelo bem antes de dormir, para que dê tempo dele secar naturalmente. Evite uso de secador de cabelo, mas se ele for necessário, aplique um produto com protetor térmico, antes de usar o secador, para tentar evitar os danos nesses fios.

Sempre use condicionador nos cabelos. Se você tem cabelos muito finos ou se eles são muito oleosos, use apenas nas pontas, mas sempre use, pois os xampus abrem as cutículas dos fios e os condicionadores as fecham. Assim, eles estarão menos desprotegidos ao longo do dia. Você pode optar com condicionadores sem enxágüe, os conhecidos como “leave in”, e dê preferência para os produtos com filtro solar para proteger seus fios.

Varie os tipos de xampus que você usa e se lavar o cabelo todos os dias, alterne com xampus “anti-resíduos” ou “de uso diário”, para que não sejam sempre xampus agressivos. E o xampu que você usa, faz sim diferença. Mas se lembre de que: xampu é um cosmético de enxágüe, isto é, vai literalmente para o ralo, então não vale a pena comprar xampus caríssimos. Qualidade sim, mas exorbitância de preço não. Sempre peça orientações para um profissional especializado.

Guarde esse dinheiro extra para caprichar na qualidade dos produtos de tratamentos hidratantes, xampus ou máscaras capilares (hidratar a cada 7, 14 ou 21 dias dependendo do tipo de dano ao seu cabelo), ou mesmo fazer hidratação ou queratinização no cabeleireiro, ou ainda pagar consulta com uma nutricionista para dar ênfase a uma alimentação saudável. 

Cuidados com o nosso corpo

Para nosso corpo, as recomendações nesse caso são bem simples: banhos rápidos, não tão quentes, sem bucha, sem sabonetes irritativos (preferir os sabonetes hidratantes), passar no chuveiro óleo de banho nos membros superiores e inferiores, passar hidratante nesses membros logo após se enxugar.

Cuidados com o nosso rosto

No outono percebemos nitidamente que nossa pele está mais ressecada, desvitalizada, manchada e com novas ruguinhas querendo aparecer, então devemos retornar ao nosso dermatologista para prescrição de novos cremes para uso noturno e diurno, com princípios ativos anti-oxidantes, estimuladores de colágeno e elastina, renovadores celulares, clareadores, rejuvenescedores, etc para “correr atrás do prejuízo”, pois caso contrário o dano nessa pele será cada vez mais intenso e cumulativo.

Esses cremes já devem ser usados a partir dos 25 anos de idade, quando a partir de então, há queda progressiva da produção de colágeno ano após ano.

Além disso, temos que avaliar a necessidade de peelings que terão resultados mais eficazes e mais profundos, já que geralmente precisamos cuidar daquela pele desidratada, desestimulada, e muito espessa.

É essencial avaliar se o protetor solar está adequado para sua idade, grau de hidratação da pele, grau de oleosidade, cor da pele, dano desta pele e se ele faz parte dos novos protetores solares, que tem tecnologia que possibilita aplicá-lo apenas uma vez ao dia, e não mais de duas em duas horas como os protetores solares mais antigos.


Dra Gisele Barbosa
Dermatologia Estética
Faculdade de Medicina da USP CRM SP 116046
atendimento@dragisele.med.br