Quando contar que o Papai Noel não existe?
22/12/2009 - Papai Noel existe? Deve-se responder às perguntas sobre a existência real ou não do Papai Noel quando a criança começar a perguntar ou demonstrar que desconfia de algo a respeito.

Quando contar que o Papai Noel não existe?

Aproxima-se novamente o Natal, data de confraternização, troca de presentes e encontros familiares. Época que encanta especialmente às crianças, que aguardam ansiosamente a visita do Papai Noel.

Várias histórias explicam a origem do Bom Velhinho, sendo a mais aceita a que o descreve como um bispo católico muito bondoso, chamado Nicolau, que viveu na no século V. Cansado de ver o sofrimento de seu povo, especialmente das crianças, resolveu presentear a garotada com brinquedos e guloseimas, justamente na data em que os católicos comemoram o nascimento de Jesus.Assim aos poucos, nasceu a história do Papai Noel que logo foi se disseminando mundo afora.

Por isso, Papai Noel também é conhecido como São Nicolau, o santo das crianças, e seu dia é comemorado em 6 dezembro. Mesmo que ele não passe de uma lenda, simboliza a bondade, a generosidade e a renovação da vida. Atualmente, a figura do Papai Noel está presente na vida das crianças de todo mundo.

Como as crianças pequenas vivem em um mundo de fantasia até por volta dos cinco ou seis anos e como são naturalmente egocêntricas (acreditam que tudo gira em torno delas) as explicações fantasiosas que os pais lhes dão, são rapidamente aceitas, pois fazem todo sentido até essa idade.

Assim como acreditam no mundo encantado dos desenhos animados, das histórias e contos de fadas, para elas a existência do “Bom Velhinho” que traz presentes na noite de Natal, é perfeitamente plausível. E agradável.

Para entendermos como isso acontece na mente infantil é interessante lembrarmos que entre os 2 anos e até mais ou menos os 6 ou 7 anos, as crianças vão conquistando, gradativamente, novas capacidades do pensar.

Experimentando o mundo real através da brincadeira e da imaginação, elas vão se apoderando de seu próprio pensamento. Somente depois dos 6 anos é que elas vão desenvolver gradativamente a capacidade de considerar com lógica se os fatos são verdadeiros ou fantasiosos. Importante lembrar que as fantasias das crianças até essa faixa etária, não se destinam a enganar maliciosamente: fazem parte do pensamento infantil e natural dessa idade.

Acreditar na figura do Papai Noel é quase que uma etapa saudável do desenvolvimento mental da criança, assim como também o é, crer no Coelhinho da Páscoa e nas figuras que povoam os contos de fadas. As crianças depositam nessas figuras imaginárias toda sua fantasia, que deve ser desmistificada somente à medida em que estiverem prontas para saber a verdade. Ou seja, deve-se responder às perguntas sobre a existência real ou não do Papai Noel quando a criança começar a perguntar ou demonstrar que desconfia de algo a respeito.

O ideal é comparar o Papai Noel aos heróis das historinhas, dos personagens dos contos de fadas, para que entendam que mesmo não sendo como os humanos, têm uma “vida” em nossa imaginação e coração para sempre.

Importante mesmo, é transmitir aos pequenos o verdadeiro significado do espírito de Natal, o que pode começar por volta dos 3 ou 4 anos,quando  a criança começa a entender o significado maior desta data: a confraternização entre as pessoas. Logo, os pais podem e devem lhe oferecer a possibilidade de vivenciar na prática, valores como solidariedade, companheirismo e doação. As crianças podem, por exemplo, ajudar a montar a árvore de Natal, enriquecendo-a com seus enfeites, desenhos e bilhetinhos feitos por elas para essa data, assim como ceder alguns brinquedos em bom estado com os quais não brinca mais, para crianças carentes ou preparar pequenos presentes feitos por elas para seus parentes e amigos.

É importante que todos, pais e filhos, pensem no verdadeiro significado do Natal. É bom mostrar às crianças que "o que vou ganhar?deve ser trocado  pelo "como posso ajudar”?

A época do Natal é uma ocasião de reflexão e crescimento para toda a família. Pensem nisso, antes de comprarem um mar de presentes que logo ficarão esquecidos em uma gaveta. Os valores transmitidos não tem prazo de validade e com certeza trarão felicidade por muito mais tempo!

Papai Noel existe?

Um dia, todas as crianças  chegam com perguntas embaraçosas, para as quais seus pais têm de ter resposta pronta: a verdade. Mas não a verdade crua e nua, mas a verdade ao alcance do entendimento e da curiosidade da criança.

É inevitável, faz parte do papel de pai, mãe e de avós: responder às perguntas que as crianças nos fazem e que julgamos embaraçosas. Mas há uma solução prática para isso: dizer sempre a verdade.

Só que a verdade e a fantasia, não são antônimos, dependendo da idade da criança. Ou seja: há uma etapa do desenvolvimento infantil, que vai até os seis  anos de idade, em que os pequenos vão gradativamente começando a diferenciar o que é fantasia do que é real e aí vem aquela fase das dúvidas e das perguntas. Algumas são engraçadas, outras curiosas, outras que são repetitivas. Mas há sempre algumas perguntas que surpreendem a família, que nos deixam sem resposta. E por quê?

Acontece que quase sempre achamos nossos filhos muito mais imaturos   e ingênuos do que são na realidade. É normal que os queiramos sempre crianças, pois essa é uma fase maravilhosa. Mas eles crescem dia a dia, conversam com outras crianças, de outras idades, assistem TV, ouvem rádio, navegam na Internet...e mesmo quando tudo isso não existia, em gerações passadas, com certeza havia um momento em que o simples observar do movimento da casa, as dezenas de “Papais Noel” que se multiplicam nas lojas e ruas, as informações desencontradas, levantavam a primeira suspeita e como a idade já permitia um pensamento mais lógico, a verdade era descoberta. Muitos até fingiam acreditar só  para não entristecer os pais !

Quando a criança chega a perguntar aos pais: Papai Noel existe? É porque ela já tem no mínimo alguma dúvida. O ideal é devolver a pergunta a ela, para se ter mais idéia do que realmente ela já sabe e do que está preparada para saber. Assim, perguntar “o que você acha, meu filho”?, abre portas para um diálogo. As respostas que se seguirão, não podem ser inverídicas, pois mentir é sempre pernicioso. As respostas devem ser adequadas ao entendimento da faixa etária e  variar desde um “se você acha que existe, existe” até a explicação mais próxima da realidade:” existe como existem os super heróis, meu filho”.

Por que na verdade é assim: sempre existe dentro de cada um de nós, um super herói capaz de fazer milagres pelos filhos e um Papai Noel incansável que lhes trás todos os presentes possíveis!

O que é importante lembrar é que forçar a crença do filho, não trás vantagem alguma, pelo contrário: além de acabar sendo motivo de risadas na escola, a criança se sentirá traída pelos pais e onde existe apenas meia confiança, não existe é confiança alguma... 

Maria Irene Maluf
Pedagoga Especialista em Psicopedagogia e Educação Especial