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Conteúdo > Comportamento Mudar de escola no início do ano letivo
18/01/2010 - Mudar de escola no início do ano letivo envolve a família, a criança, o adolescente, as aspirações, as frustrações... |
Mudar de escola no início do ano letivo
Parece coisa simples, essa de mudar de escola no começo do ano letivo. Mas não é. Envolve a família, a criança, o adolescente, a instituição antiga, a nova, as aspirações, as sempre presentes frustrações de todos, a história de vida de cada um dos alunos. Se houve repetência, pior ainda! A razão da mudança pesa muito: mudar porque se mudou de cidade, de bairo é diferente de mudar porque a situação economica assim o exige. E mudar porque houveram desentendimentos, ressentimentos, falta de atenção e de respeito da família e da escola entre si...mudar porque o aluno não gosta dos colegas, não se adpta ao método pedagógico...mudar uma vez, duas, três: qual é o limite?
Há adolescentes que passaram por oito, dez escolas por motivos quase sempre relacionados ao comportamento. Um problema repetitivo, que sem dúvida, atras de uma indiferença jocosa, deixa marcas na auto estima de qualquer criança. E o que foi feito para mudar tal situação pela família, pela escola? Será que esse mudar de escola, ao invés de representar um novo começo, não passa a representar um modo de vida?
Profissionalmente, não sou a favor e nem contra a mudança de escola, pois entendo que existem algumas situações em que permanecer em determinado colégio pode ser prejudicial para o crescimento pedagógico e emocional da criança. O que discordo é com a facilidade, a superficialidade, a freqüência, a falta de coerência com que isso vem ocorrendo por motivos irrelevantes.
As razões que levam os adultos a apoiarem esse desejo imaturo de seus filhos, de fugirem desde cedo dos desafios, responsabilidades, sofrimentos e de buscarem como pais a solução das dificuldades comportamentais (em muitos casos) ou de maior exigência pedagógica, me assustam. Afinal, quem escolheu a escola para matricular o filho, devia saber mais do perfil e das exigências peculiares tanto do filho quanto do colégio. Acatar a mudança para resolver dificuldades de relacionamento com colegas e professores, problemas de conduta ou desmotivação frente a exigências cabíveis e normais dos professores, é uma atitude que não só fragiliza a criança e o jovem, como demonstra que seus pais também estão inseguros em uma questão onde já não deveria haver dúvida.
De toda forma, mudar de escola, quase sempre causa angústia na criança, na sua família e até na nova escola que a recebe. Razões não faltam para isso, pois até mesmo se esquecermos de levar em conta os motivos que provocaram tal atitude dos pais, o que se tem pela frente é de fato complicado: famílias procurando se amoldar às novas exigências de horário, de uniforme,etc, crianças tentando se adaptar e socializar em classes com antigos e novos coleguinhas que também vieram de situações escolares estressantes e com professores desconhecidos, os quais também estarão vivenciando com certa ansiedade uma classe com alunos que poderão vir a mudar o perfil já conhecido do grupo, entre outras coisas.
Alguns itens não podem deixar de serem levados em conta pelas famílias: mesmo trocando de escola é bem possível que não alterem totalmente os problemas dos filhos: todos devem estar preparados para essa eventualidade e desde o primeiro dia letivo devem buscar soluções e não ficar apenas confiando que a mudança de colégio, de método e de colegas e professores, vá trazer de volta aquele aluno nota dez dos primeiros anos de escolaridade ou de repente tornar uma criança desmotivada em interessada e envolvida nos estudos ou até mesmo tornar um aluno com dificuldades de aprendizado, no primeiro da classe.
Mudar de escola só é válido na última hipótese, quando as questões ligadas ao desenvolvimento mental, emocional e à capacidade de aprender da criança, se mostram inadequadamente atendidas por aquele método de ensino ou quando aparecerem questões mais sérias ligadas à auto estima, ao Bullying e mesmo assim, só quando forem incontornáveis.
Mudar no final de uma série cursada tem outra significação para o aluno e por isso deve ser sempre uma hipótese a ser levada em conta, pois é mais coerente, dá tempo da criança tentar resolver seus primeiros problemas, ensina a lidar com os obstáculos e fortalece a auto-estima infantil. E acima de tudo, mostra que os pais estão empenhados em ajudá-la e que confiam na sua capacidade. Isso é que prepara de fato para a vida.
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