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Quando os filhos ficam doentes

04/04/2010 - Quando nossos filhos ficam doentes. A hospitalização de nossos filhos traz ansiedade e muitas mudanças na vida de toda família...


Quando os filhos ficam doentes

Saúde e enfermidade fazem parte da vida de todos nós. Entretanto é inegável que a hospitalização de nossos filhos traz ansiedade e muitas mudanças na vida de toda família, ainda que se trate de uma internação curta ou há muito tempo programada. A internação é  impactante se a razão é uma doença grave mas não deixa de ser uma experiência importante mesmo quando a causa é de menor risco ou seriedade.

Quando se trata de uma hospitalização de urgência ou gravidade, devemos duplicar nossa atenção à forma como lidamos com o fato e como a comunicamos à criança, independentemente da idade que esta tenha, pois com certeza trata-se de uma experiência que pode trazer um sentimento de ansiedade e stress infantil, que em nada a vão ajudar na sua recuperação.

Além do ambiente novo, estranho e convenhamos, um tanto ameaçador de um pronto socorro, as intervenções médicas necessárias, a dor, o mal estar, o afastamento da família pode se estender com uma internação longa, que exigirão da família muito apoio e esclarecimentos à criança, preparando-a para a nova situação.

Algumas medidas familiares são indispensáveis nessa hora e requerem a união de todos em prol do bem estar da criança, para que esta supere em maiores problemas, a hospitalização, uma intervenção cirúrgica ou mesmo uma doença mais longa. Em primeiro lugar, vale o princípio básico de toda educação: não mentir jamais à criança, tentando poupá-la do sofrimento inevitável, seja a notícia da internação ou de uma cirurgia. O mesmo vale para a data da alta: como prometer algo que em geral nem os médicos sabem a priori? As crianças têm “sensores” que lhes avisam quando os pais as estão tentando enganar e isso, além de diminuir a confiança na família, aumenta sua insegurança, ansiedade e torna a aceitação do tratamento ainda mais complicado.

Outra coisa importante, é tratar de antecipar de forma carinhosa mas objetiva, o que a criança vai encontrar e enfrentar no hospital, de modo que ela não seja pega de surpresa e se apavore. Detalhes minuciosos de intervenções são totalmente dispensáveis, mas informações animadoras, dentro do possível, sobre o local onde ficará, uma idéia menos agressiva de como são realizados os exames a que terá de se submeter, os horários em que poderá receber visitas, falar sobre a reconfortante presença de enfermeiras e médicos que lá estarão para ajudá-la a se restabelecer, etc, devem fazer parte da conversa do dia a dia, antes da internação, se esta for programada e mesmo de emergência, assim que a criança tiver condições de conversar.

Assim como fazemos a viajar com nossos filhos, é interessante levar para o hospital um brinquedo que eles gostem muito e lhes traga lembrança do ambiente de sua casa, assim como lhes entregar cartas e bilhetes dos amiguinhos, irmãos e sempre que autorizado pelo médico, deixar que converse ao telefone e receba visitas rápidas. Vale deixar que escreva um diário sobre seus dias no hospital se tiver condições para tal e a leitura de livros poderá substituir o vídeo game, o computador, etc. Assim, a criança se sentirá querida e o tempo de hospitalização passará muito mais depressa.

Agora, seguem dois conselhos finais aos pais e familiares, que com certeza estarão preocupados, angustiados e estressados nessa situação: procurem ajuda profissional para si mesmos caso não consigam controlar os próprios medos e comportamentos descompensados diante da criança. Uma boa relação, de respeito e cumplicidade com a enfermagem, com os médicos e mesmo com os demais parentes, vai ajudar a trazer um ambiente sereno em torno do doentinho e dará à criança confiança nos profissionais que cuidam dela e também o conforto afetivo de que tanto precisa para se restabelecer e voltar à  vida normal.

Faz parte do papel de pai e mãe serem e parecerem fortes principalmente nessas horas difíceis em que os filhos precisam antes de qualquer coisa, da intervenção e competência de profissionais, os quais, não estamos seguramente aptos a substituir. A nós, cabe inteligente e amorosamente, criar e manter as melhores condições para que o imprescindível trabalho dessas pessoas, devolva ao nosso lar, o mais rápido possível, a criança tão querida, novamente alegre e saudável.

Maria Irene Maluf
Pedagoga Especialista em Psicopedagogia e Educação Especial
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