Palavras mal ditas na relação
17/06/2008 - É uma certeza absoluta: se algum dia um casal, numa briga, disser qualquer grosseria ou “verdades” que só aparecem no calor da briga, nunca mais a relação será a mesma.

Palavras mal ditas na relação

   É uma certeza absoluta: se algum dia um casal, numa briga, disser qualquer grosseria ou “verdades” que só aparecem no calor da briga, nunca mais a relação será a mesma. Claro, que chamar o (a) parceiro (a) de bobo, besta ou idiota numa brincadeira ou numa briga, mas sendo poucas vezes e sem tom agressivo, isso não acarretará numa grande mudança na relação. Entretanto, se um dia, um dos dois ou ambos disser, por exemplo, “você é um fracassado, por isso você não tem aumento”, num momento de raiva, mesmo que depois você diga que isso só foi dito porque estava com raiva, nunca mais a relação será a mesma.

   A pior coisa que um casal pode fazer numa briga é perder o controle das palavras. Por mais que voltem as pazes, e que aparente que tudo voltou ao normal, a pessoa que ouviu isso guardará consigo para sempre.

   Conhecemos muitos casamentos que se dissolveram (ainda que só de fato, sem oficialização na justiça) por causa das agressões verbais. Quanto mais palavras mal ditas, mais a relação se deteriora. A regra é simples: nunca, em hipótese alguma, ainda que o outro já tenha dito horrores para lhe magoar, nunca aponte nenhuma fraqueza do outro. Nunca, nunca mesmo. Isto é seríssimo, a relação não acabará de imediato, é ao longo do tempo que o quê justificava ainda o amor, deixa de justificar e ele (o amor), infalivelmente, deixará de existir.

   Normalmente, as mulheres conseguem aceitar mais as palavras mal ditas, desde que o grau da grosseria não seja muito alto. Os homens podem engolir, mas nunca esquecer. Eles se sentem muito mais agredidos com o apontamento de falhas; e ao longo do tempo, com a repetição de brigas e grosserias, eles passam a duvidar que ela realmente goste dele e deixa de gostar dela.

   Nesse caso, eles não terminarão um casamento até que se apaixonem realmente por alguém, pois o casamento é a estabilidade e o divórcio é muito trabalhoso. Se a esposa é quem cuida da casa, mas difícil será a decisão dele se separar. Ele pode não se separar judicialmente, mas de fato estará separado. Ele deixará de fazer sexo com a esposa, mas não necessariamente porque está traindo, mas porque o desgosto fez acabar até o tesão.

   A mulher, ao contrário, consegue relevar as palavras mal ditas em nome do amor que sentem; elas querem que tudo volte ao normal, independentemente do que lhe foi dito (dentro de um limite que não chegue a ser humilhação).

   Reverter esse quadro é muito difícil, os dois têm que querer reverter, pois se só ela quiser “consertar” a relação, nada do que ela possa fazer mudará alguma coisa. Então, o melhor é ter uma conversa franca, desculpando-se e sem justificar que fez tudo isso porque ele também fez. Se disser isso, a briga reiniciará. Melhor é apenas se desculpar e falar francamente como a relação está e perguntar a ele diretamente se deseja que a relação melhore, se ele está disposto a colaborar no “conserto”. O tom a ser usado não pode ser agressivo ou inquisitivo, como se ele tivesse culpa, ainda que seja culpa mútua. Não se deve discutir ou revelar, ainda que implicitamente, de quem é a culpa. A culpa é de ambos e isso deve ter em sua mente, ainda que na dele isso não esteja claro.

   Não importa de quem é a culpa, o que importa é, se esse for o desejo de ambos, restabelecer uma relação saudável. Se ele agir com ironia quando você fala sobre o restabelecimento, esquece, a relação nunca mais irá voltar ao normal. Não adianta ameaçar com separação, nada fará melhorar. Se você não quiser continuar com o casamento assim, o jeito é se separar mesmo.

   Se você for o homem numa relação desgastada por causa das brigas e quer restabelecer a relação, siga a dica dada acima. Cremos que restabelecer a relação para você, homem, com a sua mulher será mais fácil (desde que você não a tenha humilhado) do que a mulher querendo restabelecer com o homem.

   Portanto, se vocês estão no começo da relação ou, apesar do tempo de namoro, não tiveram brigas muito sérias, quando as tiver, controle-se, ainda que o (a) outro (a) cometa a primeira grosseria muito grande. Saia do recinto e depois converse com quem fez a grosseria e diga-lhe calmamente que se ambos querem que a relação nunca acabe, esse tipo de grosseria não pode ser dita.

   De todas as grosserias, a mais grave é aquela que aponta defeitos, falhas ou fracassos. Como: “você é ruim de cama”, “meu salário é maior do que o seu”, “eu te sustento”, “você é um (a) fracassado (a)” e outras expressões desse gênero. No momento da raiva, a vontade é de dizer palavras duras para atingir o outro, então as pessoas procuram os pontos fracos e conseguem o seu intento que é agredir profundamente. Depois que a raiva passa, o arrependimento vem junto com o pedido de desculpas. As desculpas serão aceitas, mas a mágoa não desaparecerá. Isso é regra, a não ser que você esteja se relacionando amorosamente com o Dalai Lama.
Palavras mal ditas são verdadeiras malditas palavras.


Drika Cordeiro
Consultora em relacionamentos
drikacordeiro@gmail.com