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Conteúdo > Relacionamentos Falar sobre feridas emocionais modifica o cérebro
03/01/2009 - Desabafar faz bem à alma, mais precisamente, à saúde integral do ser, modificando funções cerebrais relacionadas à memória, às emoções e à capacidade de planejamento e tomada de decisões... |
Para aqueles que sempre desconfiaram dos resultados de um tratamento psicológico, sobretudo, pela falta de evidência empírica, ou seja, de provas concretas, a ciência, nos últimos dez anos, têm conseguido comprovar aquilo que, de uma forma ou de outra, muitos filósofos, psicólogos e grande parte das pessoas já desconfiavam: desabafar faz bem à alma, mais precisamente, à saúde integral do ser humano, modificando funções cerebrais relacionadas à memória, ao processamento das emoções e à capacidade de planejamento e tomada de decisões.
As pesquisas atuais no campo das neurociências, área de estudo interdisciplinar que visa compreender o sistema nervoso, têm mostrado evidências importantes de que a nossa subjetividade, ou seja, a intimidade daquilo que pensamos e sentimos se expressa objetivamente, fisiologicamente. Através de uma relação de acolhimento e confiança, a psicoterapia, aliada a algumas ferramentas psicológicas, pode auxiliar muito as pessoas a superar traumas e transtornos psíquicos, como depressão, síndrome do pânico, fobias, ansiedade, alcoolismo, drogadicção, doenças psicossomáticas, entre outras.
Na medida em que a pessoa fala sobre aquilo que a aflige, as áreas como a memória e o processamento das emoções entram em ação, fazendo com que gradativamente a pessoa atribua um novo significado às suas experiências. Ao regressar à experiência traumática, como por exemplo, um acidente, violência, abuso sexual ou uma situação de medo, novos aprendizados podem surgir, reorganizando os pensamentos e resignificando as emoções, diminuindo assim, o impacto emocional. As novas pesquisas são promissoras e atribuem grande valor à psicologia, que durante longo tempo foi relegada devido às explicações no plano das idéias, dando margem a um subjetivismo simplista e mágico. No entanto, ao nos depararmos com estas pesquisas, podemos correr o risco de “endeusar” o cérebro como fonte de toda a felicidade ou angústia, saúde ou doença. O cérebro expressa a materialidade de nossos sentimentos, que se constituem através de nossos relacionamentos com as pessoas, com a cultura em que vivemos, com as condições concretas de existência e nossas crenças. Somos um todo indivisível. Quanto mais nos afastamos de uma compreensão integrada sobre a vida, mais distantes estaremos da felicidade autêntica, da saúde e da sabedoria.
De qualquer modo, talvez possamos tirar uma grande lição destas evidências – falar de nossas dores alivia e possibilita novos significados diante desta belíssima e curtíssima trajetória existencial.