Modernidade, felicidade, e liberdade sexual
06/03/2008 - Muito se fala de liberdade sexual entre as mulheres. Sem dúvida, tivemos grandes avanços na manifestação do comportamento sexual entre o publico feminino.

Modernidade, felicidade, e liberdade sexual

   Muito se fala de liberdade sexual entre as mulheres. Sem dúvida, tivemos grandes avanços na manifestação do comportamento sexual entre o publico feminino. Mas será que realmente, após tantos anos de movimentos femininos podemos dizer que mudamos o referencial e que as mulheres estão livres para exercer sua sexualidade?

   Vamos ver um pouco da história. Na Grécia Antiga Sócrates afirmava que as mulheres não eram inferiores, apenas lhes faltava um pouco de energia física e mental. Aristóteles dizia que a mulher seria um macho imperfeito, Platão questionava se as mulheres realmente possuíam alma, além de tantos outras referencias.

   Na Roma antiga, as mulheres não eram consideradas cidadãs e somente podiam deixar o seu lar ao se casar. Passando da propriedade do pai para o marido. Existia em Roma três tipos de casamento: O confarreatio, festa mais eletizada, com grandes gastos; o Coemptio festa mais popular do povo e o Usus uma espécie de ficar sem compromisso até que depois de um ano de convivência junta o casal era considerado casado. Um detalhe importante: Se no Usus a mulher saísse de casa por mais de 3 dias a contagem de tempo iniciava e ela teria mais um ano para conviver junto, sem legalmente estar casada.

   Na época antiga, a cultura do corpo era algo muito valorizada e homens e mulheres possuíam grande preocupação com os aspectos físicos. Obras expostas em museus que representam a época retratam muito bem isso. A ginástica era realizada na grécia antiga de forma nua e as pessoas podiam experessar mais livremente sua sexualidade. Havia na o Olisbus, uma espécie de vibrador que era introduzido no canal da mulher e já se fazia uso de métodos anticonceptivos (óleo de oliva misturada com fezes de crocodilo). A prostituição era aceita.

   Mas o que isso tudo tem com os tempos atuais? Se notarmos algumas semelhanças na questão do direito da mulher iremos ver que em algumas cidades, ( interior do Brasil) existe ainda muito preconceito em relação ao comportamento social da mulher, elas não podem isso, não podem aquilo e muitas donas de casa somente possuem o direito de servir ao seu marido e filhos, não possuindo vida social e autorização para viver mais livremente. Passam da mão do pai para a mão do marido, muitas vezes mais autoritário e ciumento, em algumas mulheres, devido ao preconceito religiosos, muitas devem manter seus casamentos até a morte e a família não aceita a separação do casal. Mesmo hoje eu vejo isso de forma direta em meu consultório, pacientes que são casadas e não gostam mais de suas relações e que não podem se separar do marido devido a família dela não autorizar.

   O corpo físico, hoje em dia, também é uma grande procupação da mulher, que busca cirurgias e a química, em vez da ginástica (em muitos casos), para manter a forma. Não é atoa que o Brasil é recordista de cirurgia estética de seios. Em cidades mais litorâneas observa-se mais a exposição do corpo e com isso maior preocupação com o outro que está vendo, observanado e analisando o meu corpo.

   Tudo bem, isso tudo é normal, acontece ao nosso redor todos os dias. Mas a grande pergunta é: será que a mulher ou o homem estão livres realmente para vivenciar sua sexualidade? Não acredito ainda nisto não, apesar de estarmos em pleno 2004, indo para 2005, a mulher e o homem ainda permanecem enraizados em comportamentos sexuais para o outro. Aparecer bela para o outro quando na verdade não está se sentido bem, tentar passar uma imagem de uma pessoa liberal quando há grandes preconceitos em relação ao seu próprio comportamento e o do outro. Fingem orgasmos para agradar e perdem a virgindade para não perder o namorado. Seria isso liberdade?

   Enquanto não se parar para discutir estes e outros tipos de comportamentos sociais e individuais; Enquanto não se estudar a sexualidade de forma ampla e democrática; Enquanto não entendermos que liberdade sexual não é apenas sair transando, mas sim poder dizer não quero, não vou não faço; quero isso, faz assim e etc. não termos o desejado, que é o prazer e o entendimento.

   Liberdade sexual é responsabilidade. E como posso dizer que sou livre sexualmente quando não consigo ter orgasmos na cama, não consigo ter uma relação sexual sem medo de engravidar, porque não tomo pílula como deveria e não me cuido em relação a uma possível DST ou algo similar.

   Vamos refletir mais sobre nossa sexualidade, está na hora. Somente nós podemos nos dar valor e somente a nos compete a felicidade. Não posso ter um casamento, um caso, um namoro feliz quando não me sinto feliz e livre comigo mesmo.

Prof Charles Rojtenberg
Mestre em Sexologia e psicólogo CRP 01-9858
Diretor do IBRASE Instituto Brasileiro de Sexologia
ibrase@uol.com.br
92-234-9882