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Conteúdo > Variedades Nascida para voar
27/05/2008 - Há milênios, a sexualidade feminina é baseada em uma relação de absoluta inferioridade frente à sexualidade masculina, graças aos condicionamentos culturais transmitidos de pais para filhos, como se fizessem parte do próprio código genético. |
A mulher ao longo da história vem colecionando conquistas.
Há milênios, a sexualidade feminina é baseada em uma relação de absoluta inferioridade frente à sexualidade masculina, graças aos condicionamentos culturais transmitidos de pais para filhos, como se fizessem parte do próprio código genético. A história das mulheres ocidentais começa com Eva, criada a partir de uma costela de adão para auxiliá-lo. Por ter cometido o Pecado Original, comendo o fruto proibido da árvore do conhecimento e induzindo Adão a fazer o mesmo, foi por Deus assim castigada: “Terás filhos com dor, teu desejo será para teu marido e por ele serás dominada”. Tudo isso, só porque quis ser inteligente.
A partir daí, filósofos, matemáticos e estudiosos denegriram cada vez mais a figura feminina. Até que na segunda metade do século XX, algumas vozes reivindicaram um papel mais justo para a mulher na sociedade, principalmente a pensadora Simone de Beauvoir. Com a Revolução Industrial, no começo do século passado, lentamente as coisas modificaram-se. As mulheres foram às fábricas e tornaram-se co-provedoras junto com o marido, dando o grande passo para a libertação feminina. Entretanto, o acesso à cultura lhe era vetado, só os homens podiam ir às universidades, mas com luta e determinação essa barreira foi vencida. Por último, com o advento do anticoncepcional, a mulher passou a planejar o momento de ter filhos, sem que estes viessem a prejudicar seus planos e sua carreira. Essa caminha levou quase dois séculos, mas as coisas continuam progredindo.
Hoje, temos novos conceitos da mulher na sociedade e muitos homens, embora não os aceitem, ao menos os admitem. Meu grande sonho é poder um dia abrir uma nova bíblia, que nos conte que Deus criou o homem e a mulher, ao mesmo tempo e do mesmo material, para serem companheiros. Ninguém na frente ou atrás, ambos lado a lado para viverem juntos até que a falta de amor os separe.
Certa vez, um filhote de águia foi encontrado por um fazendeiro na floresta, com a asa quebrada. Para salvá-la, ele a levou para sua fazenda e não tendo onde colocá-la, botou-a junto com as galinhas num galinheiro. Deu-lhe comida de galinha e cuidou dela da mesma forma como cuidava das outras. Ela se curou, mas foi crescendo como se fosse uma galinha. Às vezes, se achava diferente: não cacarejava, seu bico era grande, suas garras e asas também. Mas, ali ficava, triste, sem fazer nada. Até que um dia, passou por aquelas paragens um naturalista que ao ver uma ave de rapina criada como galinha, levou um grande susto. Era preciso ajudá-la, devolvê-la ao seu habitat natural e ensina-la a voar. Pediu licença ao fazendeiro e iniciou seu trabalho. No primeiro dia, colocou a águia no braço e disse: “Você mão é uma galinha. É uma águia, a rainha dos pássaros, bata as asas e saia voando”. A ave nada entendeu. Nunca tinha visto uma águia antes, pulou para o chão e voltou para o poleiro.
No segundo dia, o naturalista, inconformado, resolveu explicar melhor. Levou-a para o alto do telhado e mostrou que ela podia voar dali, que tinha grandes asas, maiores que as da galinha, seu bico, seu canto, suas garras feitas para alcançar seus alimentos quando quisesse. Bastava que ela saísse voando. A águia entendeu que era diferente porque assim se sentia, mas ainda não sabia como fazer. E mais uma vez voltou para o poleiro, só que com toda aquela idéia de liberdade, asas, garras, rainha dos pássaros.
No terceiro dia, entendeu que era uma questão de tempo e oportunidade. Então fez a oportunidade, levou a águia para o alto das montanhas e mostrou-lhe muitas águias voando. Voltou a dizer: bata as asas e saia voando, suas asas foram feitas para voar alto. Você é a rainha dos pássaros. Ela ficou observando as outras águias, o céu azul e ao se deparar com o sol, num grito de liberdade, alçou seu vôo. Diz a lenda que essa águia nunca fez uma galinha de vítima, porque foi com as galinhas que aprendeu a ter os pés no chão, a catar seus grãos de milho e sentar no poleiro esperando sua vez.
Dra. Marta Murteira
Ginecologia, obstetrícia, medicina estética – CRM: 5241839-6
Professora de pós-graduação pela IAAM/ASIME (Associação Internacional de Medicina Estética); Membro da Diretoria da CABMCE (Capítulo Brasileiro de Medicina e Cirurgia Estética); Membro da Sociedade de Ginecologia e Obstetrícia do Rio de Janeiro.
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