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Nove passos para uma gestação saudável e feliz

08/11/2011 - Nove passos para uma gestação saudável e feliz


Nove passos para uma gestação saudável e feliz

Expectativa, ansiedade, alegria e emoção. Essas quatro sensações descrevem bem a Maternidade, um momento único e muito especial tanto para a futura mamãe, quanto para o futuro papai. A chegada de um herdeiro é a realização de muitas mulheres e casais e vem acompanhada de dezenas de dúvidas – desde a escolha do nome do bebê até a alimentação ideal da gestante. A seguir, o ginecologista e obstetra consultor da CordCell – Células-Tronco do Cordão Umbilical e diretor da Maternidade do Hospital Samaritano (SP), Dr. Edilson da Costa Ogeda, ajuda as mamães – principalmente aquelas de primeira viagem – a ter uma gestação saudável e feliz:
 
PASSO 1 - QUANDO ENGRAVIDAR?

Primeiramente, o filho deve nascer no coração, ou seja, o planejamento consiste em se ter o desejo profundo de gerar uma nova vida. Quando este desejo já existe, deve considerar as condições para o aumento da família: a estrutura familiar, aspectos financeiros, de moradia e, o mais importante, a grande afinidade entre os pais. “As mudanças serão gigantescas: a intimidade do casal sofre muito com o novo estilo de vida; não há aquela liberdade para sair a qualquer momento; a vida sexual também sofre com as mudanças; o diálogo fica prejudicado, pois as conversas giram em torno apenas do bebê. Todas estas mudanças podem muito bem ser superadas pelos casais que tem uma cumplicidade e um diálogo franco e aberto”, diz Ogeda.
Segundo o especialista, a melhor forma de se preparar para receber um filho seria buscar informações nas mais variadas fontes, como livros sobre o assunto e conversas com amigos e familiares. Buscar identificar os casais que tiveram problemas e como saíram deles; as histórias vencedoras e as perdedoras. “A orientação psicológica, quando necessária, poderá dar as ferramentas que o casal precisa para enfrentar as dificuldades”, afirma.
Planejamento é fundamental. Desde um preparo prévio de saúde do casal (exames de check-up, prevenção etc), até o uso de ácido fólico três meses antes da data provável em que o casal deseja tentar engravidar, passando pelas questões financeiras, trabalho, moradia e estrutura familiar. Não é necessário ter muito dinheiro para se ter filhos; mas é fundamental ter um amor incondicional um pelo o outro, e este amor contaminará o bebê que está a caminho.
 
PASSO 2 – ESTOU GRÁVIDA! E AGORA?

Quando se tem a confirmação da gestação em curso, o obstetra é bombardeado com uma avalanche de perguntas: Para quando será o parto? Parto Normal ou Cesárea? Menino ou menina? O bebê é perfeito? Você vai pedir ultra-som? Entre outras.
Cada uma dessas perguntas vão sendo respondidas e a cada etapa que se passa, mais e mais perguntas vão surgindo. Em linhas gerais, a gravidez tem seu curso influenciado por uma série de fatores. Por isso, a grávida deve ter o cuidado de fazer um rigoroso acompanhamento pré-natal. Deve fazer todos os exames laboratoriais e de ultra-som solicitados pelo médico obstetra; deve ter uma alimentação equilibrada e balanceada, a fim de ganhar entre 9 e 12 kg; comer pouco e com intervalos menores e beber bastante líquido durante todo o dia, o que favorece a digestão, o funcionamento intestinal e diminui o risco do ganho de peso excessivo; manter uma atividade física regular, quando não houver contra-indicações, como caminhada, natação, hidroginástica ou ioga.
 
PASSO 3 – SEXO E GRAVIDEZ: QUAL É O PROBLEMA?

De uma forma geral, quando não houver contra-indicações de cunho médico, a vida sexual pode e deve ser mantida. Muitos casais ficam com medo de ter relações sexuais pensando que isso poderá acarretar alguma complicação à gestação ou ao bebê, mas isso não passa de um fantasma. A mulher grávida pode se sentir até mais apta para a atividade sexual; outras mais indispostas. “O casal deve conversar e se amar da forma desejada neste período”, afirma o médico.
Mas, quando realmente a relação sexual deve ser proibida na gravidez? Quando a gestação apresentar risco de abortamento ou de parto prematuro; doenças clínicas maternas que podem se agravar na gestação (cardiopatias ou hipertensão grave); presença de ruptura de bolsa ou qualquer sangramento genital de origem ainda não diagnosticada.
 
PASSO 4 – ALIMENTAÇÃO E GRAVIDEZ

O organismo materno passa por grandes transformações durante a gestação, e do ponto de vista nutricional, uma verdadeira revolução. As necessidades nutricionais são elevadas neste período e podem impactar o crescimento e desenvolvimento fetal. O ganho de peso durante a gravidez sofre influências das fases da gestação, como por exemplo, perder até 3 kg no primeiro trimestre (efeitos dos enjôos, náuseas, vômitos e inapetência típica deste trimestre). Tudo isso pode desaparecer a partir da 12ª semana de gestação. Ao todo se espera que a mulher venha a ganhar entre 9 e 12 kg dependendo do seu peso pré-gestacional.
Ela deve fazer de 5 a 6 refeições ao dia (café da manhã; lanche da manhã; almoço; lanche da tarde; jantar e ceia); comer pouco e várias vezes ao dia; deve beber bastante líquido (cerca de 2 litros de água diariamente); preferir nas refeições maiores saladas, legumes e grelhados; não exagerar nos carboidratos e substituir os doces por frutas. Segundo Ogeda, “as deficiências nutricionais podem acarretar aumento nos índices de abortamentos, malformações, restrição de crescimento intra-uterino e, anemia entre os mais freqüentes.”
O ganho ponderal exagerado também pode predispor ao aparecimento de problemas na gravidez com risco aumentado de Diabetes Gestacional e as Síndromes Hipertensivas da Gestação. Por isso, a importância de se fazer um acompanhamento pré-natal conjuntamente com a equipe de nutrição, que pode dar melhores condições e oportunidades para uma gestação mais tranqüila e saudável, diminuindo os riscos para a mãe e bebê, retornando ao peso anterior à gestação mais rapidamente.
 
PASSO 5 – ATIVIDADE FÍSICA E GESTAÇÃO


As gestantes devem tomar alguns cuidados na hora de escolher exercícios físicos. Deve-se primeiramente diferenciar entre as gestantes que faziam atividade física ou não previamente à gestação. Quem já fazia alguma atividade física é necessário apenas adequá-la ao novo estado da gestação, ou seja, manter os exercícios que manterão o tônus muscular, o condicionamento físico e não terão grande impacto ao solo. “Não recomendamos a prática de exercícios com a finalidade de competição. Aquelas grávidas que apresentavam vida sedentária devem ter atividades físicas de baixo impacto ao solo, como por exemplo, natação, hidroginástica, ioga ou caminhada. Esses exercícios podem ser praticados a partir da 12ª semana, em condições normais, e mantidos até o 8º mês de gravidez, não sem nenhum problema, apesar de que algumas mulheres poderem praticá-los até a 38º semana”, diz o médico.
 
PASSO 6 – GESTAÇÃO GEMELAR

A gestação gemelar, aquela que apresenta dois ou mais fetos numa gravidez simultaneamente, tem aumentado a sua incidência à custa de tratamentos de fertilização assistida e procedimentos correlatos para o tratamento dos casais com infertilidade conjugal. Em 80% dos casos as gestações gemelares são dizigóticas, ou seja, gêmeos originados da fecundação de 2 óvulos por 2 espermatozóides distintos; estes podem ou não ser do mesmo sexo. Podem influenciar a herança genética da mãe e tratamentos de fertilização. Nos 20% restantes, os gêmeos são monozigóticos, ou seja, frutos de 1 único espermatozóide fecundando 1 único óvulo, e sofrendo uma divisão celular bem inicial. Desta forma, serão idênticos na sua fisionomia e no sexo.
A grande importância da gestação gemelar é no seu seguimento pré-natal. Existe uma incidência maior de algumas doenças que devem ser seguidas de perto, como: diabetes gestacional; anemia; aumento da pressão arterial durante a gestação (pré-eclâmpsia) e hemorragias no pós-parto.
Outro dado que deva preocupar a gestante de gêmeos é o fato de que a gravidez antecipa em média 4 semanas, ou seja, existe um risco concreto de termos recém-nascidos prematuros. “Por isso, um adequado acompanhamento pré-natal, com dieta adequada e repouso principalmente a partir do 7º mês de gravidez é fundamental para uma gestação segura e tranqüila”, diz Ogeda.
 
PASSO 7 – MEDICINA FETAL: O FUTURO HOJE

A Medicina Fetal trata de uma área de atuação da Obstetrícia em focar como o paciente o feto. Um ramo da atenção dada no pré-natal, que tem por finalidade o diagnóstico e a terapêutica em muitas situações bastante delicadas na gravidez. A necessidade de se fazer um bom acompanhamento pré-natal já é uma idéia bem sedimentada em todos nós. Assim como fazer todos os exames laboratoriais e ultrassonográficos. Mas quando se observa alguma anormalidade significativa, estamos diante da Medicina Fetal.
Intervenções como retirada de fragmentos da placenta (vilo corial) ou mesmo líquido amniótico (amniocentese) para a realização do estudo citogenético do embrião são corriqueiros atualmente, e com muita precisão conseguem estabelecer se aquela criança é portadora de alguma alteração cromossômica, como Síndrome de Down, por exemplo.
Transfusões intra-útero quando fetos acometidos de anemia grave que poderá levar ao óbito intra-uterino, como ocorre na Doença Hemolítica (mãe Rh negativa com anticorpos anti-Rh, que agridem os glóbulos vermelhos do feto Rh positivo). Esta ação pode salvar a vida do bebê.
Tão importante quanto o tratamento, é o diagnóstico. Um correto diagnóstico pode levar a um correto tratamento. Por isso, a importância da realização do acompanhamento pré-natal e a realização dos exames nas datas adequadas, podem ser a garantia de um final feliz para a sua gravidez!
 
PASSO 8 – PARTO NORMAL OU CESÁREA?

Este dilema é muito comum para a grande maioria das mulheres grávidas: qual é o melhor tipo de parto? Atualmente no Brasil, quase 85% dos partos na rede privada e 31% da rede pública são cesarianas. Mas quais são os benefícios e quando são indicados esses tipos de parto?
Ainda hoje, algumas mulheres optam pelo parto natural – que é basicamente quando o médico simplesmente acompanha o parto, sem intervenções – como anestesias, induções ou rompimento artificial da bolsa. Neste caso, o ritmo e o tempo do trabalho de parto são respeitados e, para alívio das dores, são utilizadas técnicas de respiração e relaxamento. A principal desvantagem desse processo é que pode levar várias horas, principalmente na primeira gravidez. A vantagem em relação à cesárea é a recuperação pós-parto que é muito mais rápida. Além disso, há menor risco de infecções e hemorragias.
Tanto o parto normal sem anestesia quanto o natural pode ser realizado na posição em que a mulher julgar mais confortável: em pé, de cócoras ou até mesmo dentro da água.
Mas, quando optar pela cesárea? Essa opção é essencialmente tomada pelo médico obstetra, e muitas vezes relacionada a alguns fatores que podem por em risco a vida da mãe e do bebê. A cesárea deve ser realizada sempre que o risco do parto vaginal for maior do que pela cesariana. Isso pode ocorrer em situações clínicas ou obstétricas que aumentem o risco para a mãe ou para o bebê, como por exemplo, em caso de desproporção do tamanho do bebê em relação à bacia óssea da mãe; infecções maternas graves; gestantes diabéticas ou hipertensas complicando significativamente o bem estar do bebê; sofrimento fetal; posição desfavorável do bebê; ou quando um trabalho de parto não progredir satisfatoriamente.
 
PASSO 9 – ACHO QUE VAI NASCER!

Neste momento, o importante é manter a calma, principalmente do marido quem geralmente fica mais nervoso. Os principais sinais ou sintomas do início de que o bebê está chegando são: contrações; rompimento da bolsa; sangramento ou dor; parada da movimentação do bebê (embora, muitas vezes, não seja nada); perda do tampão (geralmente percebida como uma secreção espessa, gelatinosa, transparente, branca ou até esverdeada; pode aparecer com uns laivos de sangue).
É importante manter a calma, avisar o médico obstetra do que está acontecendo e dirigir-se à Maternidade, não esquecendo de levar o necessário: exames, carta de internação, documentos pessoais, mala da mamãe e do bebê. Este é o grande dia! A vida vai nascer!

Toque Feminino
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